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O que saiu na imprensa
Segundo Teresa Mello, que assina a matéria, "o escritor Stieg Larsson sabe rechear muito bem uma trama, na qual tece um panorama da Suécia contemporânea, povoada por uma liberdade individual levada ao extremo. Para se ter uma ideia, o personagem Mikael tem um caso antigo com a sócia, a também jornalista Erika Berger. Detalhe: com a conivência do marido dela. Parecem ser pessoas para quem fazer sexo é tão natural quanto tomar um café. Na hora da refeição, o cardápio soa pífio: torta de peixe, pepinos em conserva, pizza, maçã. Além disso, o livro aborda temas como neonazismo, crimes de colarinho branco, pedofilia, máfia russa, tráfico de mulheres, incesto, estupro. Um prato cheio. Outra curiosidade, depois do acordo ortográfico que baniu certas acentuações da língua portuguesa, é a grafia de alguns nomes próprios, enfeitados com tremas duplos, como as cidades de Älvsjö e Södertälje."
Em crítica, o artigo lembra: "não se iludam. Os suecos sabem fazer navalha e romance policial - que o atestem Hakan Nesser e Henning Mankell, dois autores já traduzidos no Brasil. Larsson, é óbvio, não reinventou a roda. Se o tivesse feito, o romance não venderia tanto. O que fez foi adaptar o velho mistério do quarto fechado, a invenção de Alan Poe que os ingleses levaram adiante. Mas com uma jogada (ainda o jogo!): o crime acontece numa ilha, onde, em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. Talvez seja um dos primeiros exemplares de policial politicamente coreto. Larsson - fundador da revista Expo, famosa por denunciar organizações européias neofascistas e racistas - se compraz em denunciar os crimes de colarinho branco, a responsabilidade do jornalismo econômico com a ciranda financeira, a invasão de privacidade, o ódio contra as minorias. O melhor é a aquavita que se bebe em lugar do uísque."
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