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O que saiu na imprensa
A constatação está no excelente livro Hitchcock Truffaut, reeditado pela Companhia das Letras. O volume traz os melhores momentos das 50 horas da épica entrevista feita pelo francês, que tinha o diretor de Psicose como uma espécie de oráculo.
O crítico e diretor francês François Truffaut, que elevou Alfred Hitchcock (1899-1980) à categoria de mestre, entrevistou o cineasta diversas vezes e reuniu essas conversas em um livro, Entrevistas (Companhia das Letras). Basicamente, Truffaut considerava Hitchcock um mestre por se encaixar perfeitamente na política de autores que ele ajudou a estabelecer quando era redator da Cahiers du Cinema.
Ali estava o selo de garantia: Hitchcock era um gênio. Em 1962, Truffaut propôs a conversa com mais de 50 horas que esmiuçaria os 53 filmes de Hitchcock. A idéia surgiu quando Truffaut descobriu que o inglês era considerado "sem substância" nos Estados Unidos. Do outro lado do Atlântico, em Paris, a influente revista Cahiers du Cinema e seus críticos Jean-Luc Godard, Eric Rohmer e o próprio Truffaut exaltavam o cinema autoral de Hitchcock. A conversa é uma das obras mais brilhantes da bibliografia cinematográfica.
Um clássico entre os clássicos, o livro originalmente publicado em 1967 (e revisto em 1983, após a morte de Alfred Hitchcock) volta a ser lançado no Brasil com nova tradução e projeto gráfico. É um prazer de ler e um item indispensável para quem tem um mínimo de interesse por cinema.
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