As nuvens é um dos últimos livros do grande escritor argentino Juan José Saer, falecido em 2005. O argumento é muito simples: o doutor Real é um jovem psiquiatra que, associado a um pioneiro médico austríaco, vem fundar na Argentina o primeiro manicômio da América do Sul.
Seu mestre confia-lhe a missão de conduzir cinco loucos de Santa Fe até Buenos Aires, onde eles irão tornar-se os primeiros pacientes da casa de saúde As Três Acácias.
Organiza-se uma caravana de que fazem parte 36 personagens: os loucos,uma escolta de soldados, guias e prostitutas uma delas francesa. Extremamente lenta e extremamente longa, a caravana atravessa o pampa e suas ameaças, que incluem a tribo do cacique sublevado Josesito. Ao cacique, que sempre é visto com seu violino a tiracolo, um dos loucos prega a unidade da raça americana. Índios, loucos e animais imersos numa paisagem estranha, num clima exasperante em que calor, frio e tempestades súbitas sucedem-se sempre em tons extremados, tecem uma rede em torno do doutor Real, como se a viagem suspendesse as categorias do cotidiano conhecido. O resultado é uma antiepopéia colada ao real.
Ao mesmo tempo, contudo, o romance é a aventura de um psiquiatra, idéia que parece impugnar a dicotomia entre?romance psicológico e romance de aventura que Saer sempre questionou.