Logo depois de voltar da guerra em Angola, António Lobo Antunes escreve "Os Cus de Judas", sobre suas experiências naquele país. Numa narrativa não-linear e fragmentada, na indelével experiência de uma guerra, Lobo Antunes revela as inquietações existenciais de um ser humano, que se misturam às memórias de infância e juventude na Lisboa salazarista.
Na maior parte do romance, o autor faz uso do fluxo de consciência e da associação de ideias para construir a história e o perfil de seu narrador-protagonista, um personagem que, a partir de "uma dolorosa aprendizagem da agonia", vê sua vida e seus valores estilhaçados pela melancolia.
O que lhe resta são fragmentos de memória --a criança que visitava com os pais o jardim zoológico aos domingos, o jovem que assiste impassível a seu futuro sendo traçado pela autoridade inquestionável de uma família salazarista, o adulto apático e frustrado diante da violência que lhe retira as rédeas e o sentido da vida.