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O que saiu na imprensa
Vida de Escritor, em muitos sentidos, é a crônica do que se pode ganhar com uma história de insucessos. Hoje, aos 77 anos, Gay Talese lembra como era um garoto tímido, medíocre na escola e assombrado pela condição minoritária de filho de imigrantes italianos numa comunidade vitoriana e repressora como a de Ocean City, em Nova Jersey. Um projeto de perdedor.
No livro, eu descrevo a forma que acompanha a curiosidade, o que você faz depois que a curiosidade o leva para uma certa direção. Como você se mantém na missão, como mantém o curso, como não se perde. É isto o que eu chamo a arte de "hanging out". É assim que faço meu trabalho. Eu não saio por aí anotando tudo ou gravando.
Vida de Escritor é tremendo, caudaloso. Poderia ser reduzido a poucas páginas borgeanas em que Talese rememorasse sua vida como filho de um alfaiate de origem italiana, sem seu talento para a alfaiataria, paparicado nos restaurantes de Nova York apenas porque a mãe detestava cozinhar.
Pois o livro nada mais é do que a narração - franca, bem-humorada - de seus fracassos como escritor e jornalista. Pautas e idéias que nunca puderam ser desenvolvidas e publicadas, por vários motivos, encontraram lugar nessa curiosa autobiografia.
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