São Paulo, Quarta-Feira de Cinzas de 1938. Ho-Fung e Maria Akiau, donos de um restaurante chinês, aparecem brutalmente assassinados, junto com duas outras vítimas, seus empregados. O suspeito é um jovem negro acusado de matar o ex-patrão e mais três pessoas com terríveis golpes de pilão.
Em "O Crime do Restaurante Chinês" (Companhia das Letras, 2009), o historiador Boris Fausto recorre aos arquivos da história e à sua memória pessoal para narrar --com a maestria de um romancista-- e analisar a história real de um crime que mobilizou a opinião pública paulistana.
O enredo eletrizante serve de mote para Fausto discutir a aplicação judicial e policial de doutrinas racistas, a relação entre migrantes, imigrantes e trabalhadores marginalizados em uma São Paulo cada vez mais populosa. O autor analisa também o declínio do Carnaval de rua paulistano e a comoção futebolística que tomou conta da cidade com a Copa do Mundo de 1938.