Que mais pode querer um homem apaixonado do que ter um dos maiores poetas latinos como conselheiro sentimental? Mario Jiménez é um afortunado carteiro responsável pela correspondência de certo senhor que poderia ser apenas um simples ancião experiente e falante sobre as coisas do amor, não fosse ele Pablo Neruda.
A cada nova remessa de cartas, o humilde funcionário do serviço de correios chileno e o poeta consolidam uma relação inusitada: Mario vê no escritor e diplomata o cúmplice ideal nas considerações sobre a propriedade das metáforas e o mestre supremo na arte do amor. É do prêmio Nobel de Literatura que o carteiro busca conselhos sobre como conquistar o coração da garçonete Beatriz.
O pano de fundo da improvável amizade é a efervescência política do Chile na virada das décadas de 1960 e 1970.
Tal encontro, tão fictício quanto as figuras do carteiro e sua amada, é promovido por Antonio Skármeta, romance publicado anteriormente com o título de "Ardente Paciência", e cuja adaptação para o cinema recebeu quatro indicações para o Oscar. Skármeta começou a conceber este livro no final dos anos 1960, quando foi enviado pelo jornal em que trabalhava à Ilha Negra, refúgio de Pablo Neruda. Decidido a aproveitar o isolamento na ilha para escrever seu primeiro livro, Skármeta passou a rodear a casa, os vizinhos e amigos de seu personagem até encontrar a história da ligação de Mario com o escritor. Ainda assim, "O Carteiro e o Poeta" levou 14 anos para ser escrito.
A obra foi adaptada para o cinema, com Philippe Noiret e Massimo Troisi nos papéis de Neruda e Mario, respectivamente, e o inglês Michael Radford na direção.