Karl Marx revolucionou o pensamento ocidental e ganhou mais definições que sua doutrina. Mas apesar de muito se falar sobre o marxismo, pouco se conhece do fascinante ser humano, seus sonhos, sua infância, a vida em família. Em "Karl Marx", do jornalista inglês Francis Wheen, o grande filósofo ganha um perfil completo, desde seu nascimento em 1818, na Alemanha, até sua morte, em 1883.
Wheen explora todas as facetas de Marx, o pai, o marido, o político, o escritor. Uma biografia cujo valor é reconhecido até mesmo por intelectuais não alinhados com o pensamento da esquerda e que foi a vencedora do Deutscher Memorial Prize de 1999. "Karl Marx" é a primeira biografia do pensador socialista desde o fim da Guerra Fria. O fim dos atritos possibilitou o acesso a arquivos antes fechados e informações preciosas podem, agora, ser partilhadas com os leitores.
A importância de Marx é incontestável -- ele é considerado o mais importante pensador dos dois últimos séculos, seja pela obra como escritor, seja pelas consequências políticas que dela acarretaram. É na abordagem que o livro se diferencia, dando destaque ao homem.
Marx nasceu na Alemanha, em 1818, onde estudou Direito e desenvolveu o interesse pela história e pela política, às quais dedicou suas principais atividades. Por conta de suas ideias políticas, teve que se refugiar na França, onde conheceu aquele que viria a ser seu parceiro intelectual e principal companheiro de lutas políticas: Engels.
Após algumas tentativas de entrar no ramo literário, Marx publica, em 1848, o "Manifesto Comunista", redigido em conjunto com Engels para o lançamento do primeiro partido internacional dos trabalhadores. Nele, Marx apresenta os fundamentos de um movimento de luta contra o capitalismo e pela construção de uma sociedade sem classe e sem Estado.
Posteriormente, Marx lançou o também clássico "O Capital", sua obra mais importante, a cuja redação ele dedicou a maior parte de sua vida. É neste livro que, com plena maturidade intelectual, Marx aprofunda e sistematiza a brilhante análise crítica, já presente no "Manifesto Comunista", das formas de sociabilidade que caracterizam o mundo moderno.
O autor expõe todos esses fatos, além de colher impressões de amigos e contemporâneos de Marx. Ele não esquece que o pensador foi, antes de tudo, um homem, que passou boa parte de sua vida na miséria, atormentado por furúnculos e problemas hepáticos. Wheen lembra que no enterro de Karl Marx, no cemitério de Highgate, na Londres de 1883, apenas doze pessoas marcaram presença. No entanto, cem anos após a sua morte, metade da população mundial era dominada por governos que professavam o marxismo como credo.