As lembranças de Paulo Mendes Campos foram despejadas em crônicas esparsas, jamais reunidas em um único livro, como agora. Destes relâmpagos da memória nasce finíssima literatura feita, às vezes, de borrões imprecisos.
Em "Cisne de Feltro", há comoventes perfis, como o do avô português, de quem herdou "desregramentos da sensibilidade", ou da avó Estefânia, que celebrava aniversários com a "faina espetacular" de almoços regados "com sangue, sangue farto de leitoas, perus e galinhas".
O livro traz o melhor do Paulo Mendes Campos -- cético, irônico e sempre lírico --que sai destas crônicas imune ao cabotinismo que, em geral, contamina memórias. O Paulo Mendes Campos que zomba da própria importância numa divertidíssima autobiografia escrita em pílulas às vésperas de seus 40 anos.