A historiadora Élise Grunspan-Jasmin busca neste livro construir a biografia de Lampião repercutindo as diferentes vozes envolvidas nessa construção, abrindo-lhes espaço e, ao mesmo tempo, analisando seu discurso para revelar a sua polissemia.
Foi o primeiro cangaceiro a cuidar de sua personagem, utilizando métodos de comunicação --especialmente a imprensa e a fotografia-- para impor a imagem que queria de si mesmo. A imagem de Lampião, narrada pelos seus contemporâneos, é fortemente marcada pelo pathos e pela emoção.
A contra-imagem foi devolvida regularmente, a cargo dos diferentes protagonistas da luta contra o cangaço. Os documentos sobre a vida de Lampião são inumeráveis --biografias, obras de ficção, relatos orais, autos de processos, telegramas, poemas de cordel, entre muitos outros. A documentação farta e cheia de contradições reflete as diferenças de percepção da personagem segundo contextos e narradores diferentes.