Este livro retraça a história e descreve a estrutura do espaço literário. Mas a literatura não é uma ilha encantada das formas puras. É um universo desigual, um território onde os literariamente desprovidos são submetidos a uma dura dominação. A história da literatura proposta aqui também é a dos revoltados e dos revolucionários que conseguiram subverter a lei literária e arrancar sua liberdade de escritores graças à invenção de novas formas. A leitura assim renovada dos textos de Kafka, Joyce, Faulkner ou Beckett, mas também de Arno Schmidt, Mário de Andrade, Ibsen, Michaux, Cioran, Naipaul, Juan Benet, Danilo Kis e muitos outros "ex-cêntricos" poderia fornecer armas críticas a todos os que se rebelam contra as evidências e arrogâncias dos guardiães da lei literária.
Neste abrangente apanhado dos destinos de autores, obras, movimentos, línguas e capitais da literatura que compõe a "República Mundial das Letras", Pascale Casanova aborda os complexos mecanismos e leis que regem o labor da escrita. Mas quem diz mecanismos e leis diz também dominação. E quem diz dominação diz revolta. Eis portanto a questão central do livro: a elaboração de uma gênese do espaço literário - "o processo pelo qual se inventa lenta, difícil e dolorosamente, em lutas e rivalidades incessantes, a liberdade literária contra todos os limites extrínsecos" -, o que nos leva naturalmente à análise da correlação de forças que lhe dá o tom.
A autora oferece um novo método interpretativo baseando-se no jogo das desigualdades para analisar as relações entre dominados e dominantes e a quebra das hierarquias literárias. Demonstra que quem move mesmo a arte do escrever são os que vêm de baixo, os revoltosos, os "subversivos" das letras em luta contra o establishment gerador de imobilismos literários.