O cinema nacional foi dado como morto no começo da década de 1990. Mas, como aconteceu outras vezes em sua história, ele renasceu e sobreviveu. Ao longo desses anos, a nova produção brasileira cresceu, afirmou-se e atingiu certa estabilidade. A esse processo laborioso - por vezes tenso e dolorido - deu-se o nome de "Retomada do Cinema Nacional".
O livro busca apresentar uma primeira visão analítica de um processo que desaguou em obras tão marcantes quanto "Terra Estrangeira", "Sábado", "O Invasor", "Cidade de Deus" e outros. No texto, o autor discute as tendências desta novíssima cinematografia que nasce da carência e das cinzas de um momento negro de nossa história recente, e se afirma com teimosia. Constata que, dentro da diversidade apontada como marca da produção contemporânea, algumas linhas de força comuns se esboçam. Tão diferentes entre si, esses filmes discutem a relação do país com a sua história e com a recorrente questão da identidade nacional.
Como muito bem diz Ismail Xavier em seu prefácio, "a tônica do livro é articular o que de heterogêneo se intercepta na prática do cinema, e o autor assume de forma sistemática uma premissa dialógica, de comparação, definição recíproca dos termos, na condução da crítica". Impossível não pôr em cena as dificuldades do presente, como o abismo entre as classes sociais e os crescentes desafios colocados pela violência urbana. Os cineastas da "Retomada" revisitam cenários preferenciais como o sertão e a favela, dialogam forçosamente com o cinema novo, debruçam-se sobre as difíceis relações amorosas num país de rápidas mutações urbanas.