"Ecce Homo" é uma das obras mais controvertidas de Nietzsche, publicada em meio ao agravamento de sua doença e transtorno mental. A intenção do filósofo era deixar as suas palavras finais nesta última obra.
Uma obra gerada no limiar entre a razão e a loucura, "Ecce Homo" se dedica ao egocentrismo humano e é também a mais singular das autobiografias que o mundo um dia conheceu. Tinha receio de ser "santificado" ou idolatrado e, por isso mesmo, deixou claro que não era nem santo e que não desejava ser imitado e sim ser tomado como modelo.
Nietzsche foi um dos mais importantes pensadores alemães de todos os tempos e estendeu a área de suas influências para muito além da filosofia, adentrando a literatura, a poesia e todos os âmbitos das belas-artes. Com sua obra quebradiça e aparentemente fragmentária, que no fundo adquire uma vitalidade orgânica que lhe dá unidade através do aforismo, ele foi, na realidade, um dos críticos mais ferozes da religião, da moral e da tradição filosófica do Ocidente. Nietzsche escreveu, ele mesmo, a melhor obra para entender a obra de Nietzsche. É o "Ecce Homo", sua autobiografia escrita aos quarenta e quatro anos, o último suspiro antes do declínio, um dos mais belos livros da história da literofilosofia universal.