Jesuíta brilhante, cosmopolita, diplomata do Reino de Portugal, conselheiro de reis, polemista, perseguido pelo Santo Ofício, o padre Antônio Vieira (1608-1697) foi múltiplo, às vezes contraditório. Há consenso, entretanto, quanto à genialidade dos seus sermões, dos quais cerca de 200 chegaram até os nossos dias.
Estão reunidos neste livro o "Sermão da Sexagésima", o "Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal Contra as de Holanda" e o "Sermão do Bom Ladrão". O primeiro, de 1655, escolhido pelo próprio Vieira para abrir o volume de seus sermões compendiados, versa sobre a arte de pregar e de falar às multidões, além de apresentar a profissão de fé do pregador.
O segundo, de 1640, é talvez o texto mais conhecido de Vieira e certamente um dos mais impressionantes. Nele, o padre roga ao Deus católico que auxilie os portugueses contra os holandeses, que ameaçavam invadir a Bahia --e o faz em um inaudito tom agressivo e belicoso que chega às raias da heresia.
Já no atualíssimo "Sermão do Bom Ladrão", de 1655, Vieira --num lance profético que mostra o seu profundo entendimento sobre os problemas do Brasil-- ataca e critica aqueles que se valiam da máquina pública para enriquecer ilicitamente.