"O Mercador de Veneza" é uma das obras mais polêmicas de William Shakespeare (1564-1616). Escrita por volta de 1596, aborda o choque entre diferentes culturas, tema tão presente hoje como na Inglaterra do século 16. Tradicionalmente classificada como comédia, apresenta elementos típicos do romantismo; um exemplo é a heroína da peça, uma dama italiana à procura de um marido.
A história tem lugar entre Veneza e a fictícia Belmonte e mostra o antagonismo entre Antônio -o mercador do título da obra, comerciante cristão de prestígio- e Shylock, um usurário judeu que leva o outro ao tribunal no intuito de cobrar uma dívida.
Nesta obra fica clara a habilidade shakespeariana de colocar elementos altamente trágicos numa peça que termina em casamentos e reconciliações. Sem piedade, o dramaturgo manipula a opinião do público em meio a personagens tão dúbios quanto ardilosos, criando um dos seus melhores trabalhos.