"Memórias da Casa dos Mortos" narra em forma de romance um dos períodos mais difíceis da vida de Dostoiévski (1821-1881): os anos em que passou na prisão. Em 1849, ele foi condenado à morte por debater ideias 'revolucionárias'. Porém, minutos antes do fuzilamento, sua pena acabou sendo comutada por quatro anos de prisão e trabalho forçado na Sibéria. Essa fase deixaria marcas profundas no escritor, que transformou a dor do confinamento neste livro.
A obra foi feita a partir de anotações do escritor, dos diálogos que presenciou e também de suas próprias impressões. Por meio do personagem Alieksandr Pietróvitch, assassino confesso da própria mulher, Dostoiévski constrói um brutal e minucioso relato do dia a dia dos prisioneiros. Perscruta a fundo a alma de cada um deles, revelando o sofrimento físico e mental do cárcere e a progressiva e total anulação da individualidade, sem deixar de lado a crítica a um sistema que fomenta o ódio e não recupera os cidadãos para a sociedade.