Como pôde um caudilho, um gaúcho de botas, bombachas e chimarrão, um político eminentemente provinciano, ser o mais centralizador dos governantes brasileiros, combatendo duramente o regionalismo e erigindo o nacionalismo em ideologia? Como um ditador simpático ao fascismo se torna um líder de massas cultuado pela esquerda? Como esse homem presidiu o país durante a sua quadra histórica de industrialização mais acelerada? É partindo de perguntas como essas que o historiador Boris Fausto conduz sua investigação sobre Getúlio Vargas. O político astuto e dissimulado era, mais simplesmente, um homem reservado. Tinha crenças arraigadas, mas fez do pragmatismo um norte na sua atividade política.
Entre o estereótipo do benfeitor dos humildes e o manipulador das grandes massas, Fausto escolhe as duas alternativas. O perfil de Getúlio é uma obra de síntese, que contribui para a compreensão da trajetória do pai dos pobres e dos impasses da formação nacional.
Leia mais
"Getúlio Vargas" investiga personalidade do presidente suicida