Os sonetos desse livro, publicado pela primeira vez em 1967, foram escritos ao longo de 30 anos, a partir do início da década de 30. Apesar do vasto espaço de tempo que os separa, eles guardam uma semelhança que vai muito além da submissão ao formato clássico: para Vinicius de Moraes, os sonetos eram uma via de acesso ao sublime, mesmo quando essa elevação se processava por meio da linguagem prosaica do cotidiano aparentemente banal. Tornam-se ainda um recurso sofisticado que permite ao poeta contatar, com mais eficácia, a alma de outros artistas que tinha em alta conta, como Katherine Mansfield, Otávio de Faria, Cândido Portinari e Sergei Eisenstein.Esta edição do "Livro de Sonetos" reúne também nove sonetos inéditos, pescados no baú de raridades que Vinicius de Moraes deixou com a família e que hoje está sob a guarda do Museu de Literatura da Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.