A obra do "poetinha" inicia-se muito antes do copo de uísque na mão e o olhar às belas passantes do calçadão mais famoso do mundo. Diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor, o carioca Vinicius de Moraes viveu intensamente e seus trabalhos refletem isso.
"Poemas Esparsos" é um livro surpreendente. Força, beleza, humanidade e apuro estético -- comuns a todas as obras de Vinicius -- acham-se aqui numa configuração imprevista: uma seleção de poemas inéditos, ou publicados postumamente, a que se juntaram aqueles que não foram incluídos na "Nova Antologia Poética".
O volume cobre um vasto período da produção do poeta: do início dos anos 30 a meados dos 70. Ao morrer, em 1980, Vinicius de Moraes deixou alguns livros inconclusos, e grande número de poemas já finalizados, alguns dos quais chegaram a ser publicados na imprensa.
Este volume resulta de uma longa e minuciosa pesquisa em livros, jornais, revistas, arquivos e manuscritos. Não se trata, porém, de um levantamento com caráter documental: dispensaram-se esboços, exercícios, textos inacabados ou claramente recusados pelo autor, a fim de que viesse à luz apenas aquilo que está à altura das obras publicadas pelo poeta.
No final, o leitor encontrará também, agrupados na seção "Arquivo", um estudo do percurso poético de Vinicius de Moraes assinado por Ferreira Gullar, crônicas de Fernando Sabino e Carlos Drummond de Andrade que festejam e recordam o amigo, bem como um longo depoimento, inédito em livro, de Caetano Veloso.