Foi o próprio Vinicius de Moraes quem organizou a primeira edição deste "Livro de Sonetos" (Companhia das Letras, 2009), que foi originalmente publicado em 1957. Com o volume, o poeta fazia um balanço de sua obra e ratificava, em 35 poemas, sua dedicação a uma das formas mais populares de poesia: o soneto.
Dez anos depois, veio a segunda edição do livro, e Vinicius acrescentou a ele nada menos do que 25 poemas, vários deles inéditos. A edição que o leitor tem agora em mãos se soma àquele conjunto de 16 sonetos esparsos.
O que se pode inferir ao longo desses anos é que os sonetos escritos por Vinicius acabaram por formar um acervo singular no quadro da moderna poesia brasileira. Eles chamam a nossa atenção pela carga emotiva, mas impressionam igualmente pela austeridade formal. Desse modo, a extraordinária beleza dos versos parece nascer dessa aliança, em que a densidade reflexiva e o virtuosismo sintático se afirmam como expedientes de controle da efusão sentimental.