Para José Miguel Wisnik, Fernando Pessoa viu na língua portuguesa um império a desvendar e a fazer vingar. Império poético e profético, regido pelo Vieira sebastianista e 'Imperador da Língua Portuguesa', como diz um poema de Mensagem. Império que transmutaria as conquistas e o fracasso histórico de Portugal, pontuados pelo desaparecimento de D. Sebastião e pelo mito de sua volta, num misterioso destino de irradiação cultural e de liderança espiritual.
Os textos apresentados neste livro dão matéria nova a esses conteúdos, já conhecidos em outras partes de sua obra, mas sem a especificidade linguística que eles ganham aqui. São fragmentos do seu esforço de formulação de uma política da língua, e entram pela discussão da oralidade e da escrita, da ortografia, das línguas artificiais, do futuro das línguas existentes e do destino exponencial que o poeta consagra ao idioma português na Babel do mundo.