Reunião de três ensaios de Meyer Schapiro, historiador da arte que foi professor emérito da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. Nesses textos, ele investe contra a crítica, tantas vezes reafirmada, de que Pablo Picasso (1881-1973) não teria sido senhor de um estilo próprio. O autor se baseia em análises minuciosas dos trabalhos do pintor, escultor, desenhista e gravurista espanhol, em um percurso que vai de "Anã Dançarina", pintura de 1901, até "O Babuíno e o Filhote", escultura em bronze de 1951. Atravessa, assim, as três mais célebres fases do artista - a azul, a rosa e o cubismo.
A reflexão de Schapiro na condução de sua argumentação está sempre referida a uma cerrada análise de obras. Nada é afirmado que não possa ser constatado em determinada pintura, desenho, esboço ou escultura. Essa prática confere às suas interpretações notável consistência crítica. O leitor, aos poucos, por força da constatação das afirmações na obra, acaba por ceder à sua argumentação. Ou, ao menos, por tomá-la como razoável.