Clarice Lispector tinha um dom especial não só para escrever histórias como também para ouvi-las. E foi justamente seu cãozinho de estimação que veio contar, com muitos latidos que só a dona entendia, o que rolava no quintal do vizinho. Ulisses, que tinha um olhar observador, descobriu que da união entre a inveja e as más companhias só sai fruto ruim. Foi o que ele viu quase acontecer com uma figueira que dividia o fértil terreno perto de sua casa com galos, galinhas, pintinhos e minhocas.
A árvore, revoltada com sua infeliz vida, resolveu pedir a uma nuvem má que passava pelo quintal para aprontar com os bichinhos. Ela não suportava tanta felicidade à sua volta. Só que a figueira jamais imaginou que o feitiço poderia virar --quase de verdade-- contra o feiticeiro. Além de "Quase de Verdade" (Rocco, 1999), Clarice escreveu para crianças "O Mistério do Coelho Pensante", "A Vida Íntima de Laura", "A Mulher que Matou os Peixes" e "Como Nasceram as Estrelas".