O romance "Valfierno" (Companhia das Letras, 2008) é baseado no caso real de um crime internacional protagonizado por um argentino em 1911. O crime, certamente, foi em si mesmo uma obra de arte do mais sofisticado engenho, e teve como ponto de partida o roubo da Monalisa, de Leonardo da Vinci, o quadro mais famoso do Museu do Louvre.
Neste romance, o protagonista, filho de uma empregada, se constrói com sucessivas máscaras --de menino dócil a adulto presidiário, de comerciante sonhador a trapaceiro e vendedor de falsificações- -, mescla-se com uma sociedade a que não pertence, na Argentina da belle époque e depois em Paris, e se transforma no marquês Eduardo de Valfierno.
A vida marginal, a busca desesperada por uma identidade, o florescimento como trapaceiro e falso marquês se cristalizam no escandaloso golpe de mestre. A obra não é apenas a magistral narração de uma história incrível, mas também uma reflexão sobre a identidade, sobre o valor da falsificação e da verdade.