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O que saiu na imprensa
MANUEL DA COSTA PINTO
colunista da Folha de S.Paulo
"E se a literatura fosse um animal que arrastamos ao nosso lado, noite e dia, um animal doméstico e exigente, que jamais nos deixasse em paz, que fosse preciso amar, alimentar, levar para passear? Que amamos e detestamos. Que nos dá a tristeza de morrer antes de nós, já que a vida de um livro dura tão pouco nos dias de hoje." Esse breve parágrafo corresponde ao último capítulo (intitulado "O Livro-Cão") do livro "Da Dificuldade de Ser Cão", de Roger Grenier, e é uma espécie de síntese entre duas estranhas paixões humanas: a literatura e os cachorros.
Só falta falar é a frase favorita dos donos de cachorro. Pois o escritor francês Roger Grenier descobriu que os cães falam, ao seu modo. Pelo menos, encontraram grandes porta-vozes em figurões históricos, como Napoleão, ou em filósofos, como Schopenhauer. O cão é sobretudo o melhor amigo do escritor. Jack London, Baudelaire, Rilke, Gide e Thomas Mann são alguns dos autores lembrados em Da Dificuldade de Ser Cão (Companhia das Letras), coletânea de anedotas canino-literárias. Grenier reuniu essas histórias com afeto e sem método. Como quem leva o cão para passear.
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