Mergulhando fundo nas tradições orais do nosso país, "A Botija" -- que recebeu o prêmio literário Câmara Cascudo da Prefeitura de Natal -- é um livro que encanta adultos e crianças, e se lê como uma espécie de "Mil e Uma Noites" do folclore brasileiro.
A obra junta, de uma só vez, a história de Eulália, seu pai feiticeiro e seu noivo desmemoriado, e a fábula "O Pavão Misterioso", talvez o mais célebre romance de cordel nordestino, agora recontados em prosa pela poeta e professora Clotilde Tavares.
O livro traz três histórias se entrelaçam para compor o enredo. Pedro Firmo, homem simples e solitário que vive numa fazenda no interior de Minas Gerais, há anos tem o mesmo sonho todas as noites: uma botija cheia de moedas de ouro está à sua espera, enterrada no chão de uma casa no Recife. Um dia, ele resolve descobrir se o sonho é verdadeiro. Durante a viagem, ouvirá duas narrativas profundamente enraizadas no imaginário brasileiro.
Uma delas é a de Eulália, que salva um rapaz que estava se afogando e faz de tudo para ficar com ele -- até mesmo desafiar a ira do pai, feiticeiro temido nos sertões de Pernambuco. A outra é sobre um jovem que viaja para outro país, enfrenta soldados e prisões, e conquista sua amada com a ajuda do incrível pavão misterioso.