"Monstros e Monstrengos do Brasil" é um imenso inventário da fauna fantástica brasileira. O historiador Afonso d'Escragnolle-Taunay se debruça sobre documentos e relatos que remontam ao Descobrimento do Brasil, como o anônimo "Diálogos das Grandezas do Brasil" e a "Narrativa Impressionadora das Extraordinárias Aventuras e Sofrimentos de Seis Desertores da Artilharia da Guarnição de Santa Helena" escrito em 1799 por um certo John Brown.
O livro mostra que o bestiário da mitologia brasileira não fica devendo em nada para o de outras culturas. Não faltam peixes que tem pedras no lugar dos miolos, um peixe-monstro sem intestinos, um molusco que menstrua como as mulheres, um gambá cujo fedor deixa um homem desacordado durante horas, os javalis monteses que têm o umbigo nas costas e que cometem suicídio coletivo, um lagarto que se alimenta de vento, um réptil que envenena as frutas a um simples toque, um filhote de onça que rasga o útero materno ao nascer, uma onça marinha que é metade jaguar e metade peixe, os porcos que respiram por um buraco no dorso e muito mais.
Diferente de muitos pesquisadores de sua época, Taunay não trata esses relatos como mera invencionisse do povo, mas como um documento de um momento da história brasileira, além de usar de muita ironia e bom humor para com o seu inusitado objeto de estudo.
Afonso d'Escragnolle-Taunay nasceu em 1876, em Florianópolis. Foi biógrafo, ensaísta, historiador e professor da USP. Em 1930, tomou posse da cadeira número um da Academia Brasileira de Letras. Faleceu em 1958, em São Paulo.