Com a mesma mestria que revela em livros como "O Profeta Impuro", "O Labirinto Grego" e "Os Mares do Sul", Manuel Vázquez Montalbán apresenta agora uma narrativa dirigida aos leitores jovens. A personagem que desencadeia o conflito é o sr. Jai, um homem gigantesco que tem um hábito que não combina com sua estatura: o de cultivar bonsais, as árvores em miniatura típicas dos jardins japoneses.
Intrigado, o jovem Procusa decide investigar o grandalhão e descobre que não se trata apenas de uma pessoa excêntrica, mas de alguém que, em sua obsessão pelas miniaturas, é capaz de cometer atrocidades. Jai está convencido de que, ao controlar o tamanho de plantas e bichos, poderá bloquear a ação do acaso e, assim, garantir o domínio do homem sobre a natureza.
Na trama estão embutidas questões como a relatividade dos conceitos - o que é "grande" e o que é "pequeno"? -, a fragilidade humana diante do imprevisível e o papel da palavra como instrumento de dominação. Um dos mais fecundos escritores espanhóis da atualidade, Montalbán flerta com a filosofia neste texto breve e profundo, quase um bonsai narrativo.