Nas culturas antigas, caráter e velhice caminhavam lado a lado. O idoso era o detentor da sabedoria e o responsável por transmitir às novas gerações um exemplo de vida. Com o passar do tempo, a relação entre idade e caráter foi se modificando.
Em "A Força do Caráter", o psicólogo James Hillman ressuscita a importância da experiência de vida na formação da psique humana e afirma que o caráter só é definido na terceira idade.
Convites para que os idosos passem a agir como jovens estão por toda parte. Nesse contexto, lembra Hillman, os velhos que não experimentam mergulhar em alguma espécie de fonte da juventude estão fadados ao ostracismo. A obra de Hillman surge como um convite à reflexão sobre o universo do idoso nesses dias em que o valor do ser humano está associado mais à sua capacidade física que à psicológica.
A tese defendida aqui, é um desdobramento de uma outra teoria do autor --lançada no livro "O Código do Ser"-- segundo a qual o caráter é predeterminado geneticamente. Hillman demonstra, agora, como somente o tempo é capaz de confirmar o que a genética definirá como sendo o caráter de cada indivíduo.
O autor busca na medicina e na filosofia as bases que pontuam a sua narrativa doce e poética na defesa da terceira idade e das marcas do tempo impressas no corpo adulto. Para Hillman, as rugas acumuladas na face ao longo de décadas trazem consigo uma carga de experiência de vida de valor inestimável. Apagá-la é como negar o amadurecimento.