Wagner é um pensador fundamental para Friedrich Nietzsche porque o filósofo viu no músico o despertar do espírito dionisíaco no mundo moderno. Considerado por Nietzsche, no início de sua produção filosófica, um dramaturgo ditirâmbico, Wagner foi o grande inspirador de "O Nascimento da Tragédia" e é comparado, em "Wagner em Bayreuth", a Ésquilo, que é, para o filósofo trágico, o ápice da tragédia grega.
Assim, essa "consideração extemporânea" desenvolve um tema bem caro à filosofia de Nietzsche: o papel que o artista, como gênio, desempenha na construção de uma cultura futura ao se insurgir contra a concepção burguesa da arte como passatempo e diversão.
E se ele elogia o teatro criado por Wagner em Bayreuth é porque, com suas obras de arte trágicas, ele pretende fecundar um mundo decadente com um projeto cultural renovador.