Este livro de William Faulkner é um romance de arquitetura complexa. A ruptura com a linearidade desconcerta o leitor. O tempo é estilhaçado e é pela valorização dos estilhaços que Faulkner multiplica os pontos de vista, iluminando figuras sublimes e grotescas.
Da atmosfera de violência e horror do Mississippi surgem personagens profundamente humanas, como o assassino dilacerado pela herança de sangue, a mulher de família abolicionista hostilizada por uma cidade orgulhosa de seu passado escravocrata e o pastor refém de um passado familiar de violência e glória.
Toda a maestria da construção de "Luz em Agosto" se confirma no último capítulo, numa reviravolta narrativa que o consagrou definitivamente. O leitor, guiado por Faulkner, encerra o livro em estado de assombro. Viveu intensamente o horror, tomou contato com os recônditos da alma. Percebeu o passado como um inimigo que não dá trégua. Será assombrado por imagens poderosas. Um livro que não tem fim.