O clássico de Saint-Exupéry, que vendeu 6 milhões de exemplares, é agora adaptado para os quadrinhos por Joann Sfar. Livro de criança? Com certeza. Livro de adulto também, porque todo homem traz dentro de si o menino que foi um dia.
A narrativa devolve a cada um o mistério da infância. De repente, retornam os sonhos. Reaparece a lembrança de questionamentos, desvelam-se incoerências acomodadas, quase já imperceptíveis na pressa do dia a dia. Voltam ao coração escondidas recordações. O reencontro, o homem-menino.
O volume conta a história do principezinho originário do asteroide B612 que é encontrado pelo alter ego de Saint-Exupéry. Num misto de autor na obra e obra na vida do autor, a trama do minigovernante mais influente e conhecido do universo literário é traçada de forma delicada e criativa.
Utilizando seus conhecimentos como aviador, o escritor compõe um narrador-autor que também é aviador e encontra o pequeno príncipe no deserto do Saara por conta de uma pane em seu avião. E assim, os caminhos e as histórias de ambos começam a se cruzar.
O menino pede que o aviador faça desenhos para ele a fim de reproduzir seu planeta. Imagens de carneiros e baobás ilustram o contar do garoto. Por meio delas, o leitor mirim e adulto adentra o mundo imaginário, e também real, de um príncipe que se preocupa tanto com os espinhos em rosas quanto com o instruir e explorar asteroides e planetas.
Das atividades que realizava diariamente em seu habitat, o principezinho destaca o cuidado que tinha com a rosa, os três vulcões --dois em atividade (em um deles, esquentava sua comida) e um extinto--, entre outras.
O narrador faz interferências pontuais sobre o que "gente grande", nas palavras dele, entende e não entende, e como isso faz com que as crianças os desentendam em fração crescente. Para o leitor, a aventura mal começara até este ponto narrativo. Mal sabe que o garoto se embrenhará em viagens: primeiro pela região dos asteroides 325, 326, 327, 328, 329 e 330, e depois partirá rumo a Terra, o sétimo planeta.