Clarice Lispector coloca-se na narrativa como um espectador capaz de alterar os destinos dos personagens.
Agindo como um Deus, a autora muitas vezes abandona as características próprias de cada um deles para fazer uma descrição própria de seus papéis na história maior contada no livro: a vida, a criação, a dor e o prazer de ser.
E se por um lado o leitor fiel de Clarice pode estranhar que a figura principal deste livro seja um homem --é Martim, o herói-vilão, estopim de mudanças em si e nos outros--, ao mesmo tempo acabará identificando nele uma característica comum aos protagonistas da autora: um profundo mergulho em seus próprios valores, que faz com que ele se iguale ao sofrimento e gozo a qualquer pessoa.
Os três capítulos que formam o livro, escrito de 1951 a 1961, mostram de forma gradativa o pecado, ato impensado, e a redenção.