O recorte escolhido por Bartolomeu Campos de Queirós nessa antologia poética permite uma aproximação da obra de Manuel Bandeira em seus diferentes momentos - desde o formalismo pós-simbolista de sua fase inicial até a liberdade de estruturas e de linguagem de sua fase modernista.
Encontramos aqui, também, as diferentes formas de construção utilizadas pelo poeta em sua fase modernista: alguns poemas apresentam uma simplicidade e fluidez de linguagem que quase se aproxima da prosa; outros brincam com a sonoridade da palavra, de modo quase onomatopéico, como ocorre em "A Onda".
Enquanto os poemas da primeira fase do autor possuem uma estrutura bem definida, com rimas e métrica regulares, os poemas da fase modernista são escritos quase sempre em verso livre. As imagens que o autor escolhe também se modificam substancialmente de uma fase para a outra: das imagens elevadas do início, ainda ligadas à tradição clássica, o autor passa a imagens absolutamente singelas e cotidianas.