A obra conquistou o Prêmio Jabuti na categoria Teoria e Crítica Literária, em 2005. Retrata e analisa a trajetória e a obra do consagrado Guimarães Rosa, enquanto escritor, médico, diplomata, poliglota e viajante obstinado.
Vindo do sertão de Minas Gerais, ele foi cônsul-adjunto em Hamburgo, Alemanha, inclusive durante a 2ª Guerra Mundial, até 1942. Ao lado de Aracy Moebius, sua então companheira, salvou a vida de dezenas de judeus das mãos da Gestapo.
Sobre essa experiência e o risco no confronto com nazistas, eledeclarou: "Foi alguma coisa assim, mas havia também algo diferente: um diplomata é um sonhador e por isso pude exercer bem essa profissão. O diplomata acredita que pode remediar o que os políticos arruinaram. Por isso agi daquela forma e não de outra. E também por isso gosto muito de ser diplomata. E agora o que houve em Hamburgo é preciso acrescentar mais alguma coisa. Eu, o homem do sertão, não posso presenciar injustiças. No sertão, num caso desses imediatamente a gente saca o revólver, e lá isso não era possível. Precisamente por isso idealizei um estratagema diplomático, e não foi assim tão perigoso. E agora me ocupo de problemas de limites de fronteiras e por isso vivo muito mais limitado".