Os ensaios reunidos neste livro, bem como nos que o precederam, procuram esboçar o que gostaríamos de chamar de uma crítica da ciência. Não uma crítica em que esta seria imediatamente colocada no banco dos réus, mas, de preferência, um questionamento sobre as suas circunstâncias, que ajudaria a compreender seus conteúdos, sua natureza e seus desafios, sem separá-los.
O título da obra, ainda que encontre sua origem no paradoxo que permite atribuir à sombra uma velocidade superior à da luz, refere-se principalmente à crise do projeto do século das luzes e à sombria perspectiva de uma tecnociência que forneceria apenas obscuras clarezas.
A estratégia seguida nestes ensaios consiste, para uma melhor compreensão da atividade científica, em explorar seus limites a partir de questões singulares, mas esclarecedoras como, por exemplo, de onde vem o mito das sete cores do arco-íris.