A autora Marjane Satrapi era apenas uma criança quando testemunhou a implantação do regime xiita no Irã. Ela, que cresceu em uma família de esquerda, moderna e ocidentalizada, foi obrigada a, de repente, usar o véu para cobrir o rosto e a estudar em classes separadas dos meninos.
A princípio, a ascensão dos radicais religiosos foi vista pelos progressistas iranianos como uma autêntica manifestação do povo, que estaria usando a religião como mero pretexto para sair às ruas e derrubar um tirano. Porém, não foi bem isso o que aconteceu. O regime xiita se radicalizou de maneira tão brutal que até mesmo Marjane, aos catorze anos, foi para o exílio na Áustria, pois a vida no país se tornara uma sucessão de carnificinas, sempre em nome de Deus e da justiça.
Apesar de narrar um processo considerado por todos como uma tragédia, a trama em quadrinhos conta com uma boa dose de humor e sarcasmo que tornam o texto leve e prazeroso.