"O Pagador de Promessas", de Dias Gomes, narra o emocionante calvário do simplório Zé-do-Burro. Para cumprir promessa feita à divindade Iansã, pela cura de seu burro, o protagonista divide seu sítio com os lavradores pobres e carrega pesada cruz de madeira no percurso de sessenta léguas, com o objetivo de depositá-la no interior da igreja de Santa Bárbara, em Salvador.
Iansã se confunde com Santa Bárbara na visão popular, mas por certo não é um mito cristão, motivo mais que suficiente para que as autoridades eclesiásticas se opusessem à entrada do herói no sagrado recinto.
Zé-do-Burro não esmorece. Sua obstinação, sua fé, a conduzem a uma dos mais empolgantes desfechos do teatro brasileiro contemporâneo. "O Pagador de Promessas" serviu de tema ao filme do mesmo título, ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1962.