Até que ponto pode um Estado desumanizar seus inimigos? Quando tem o direito de deter arbitrariamente suspeitos de subversão? Pode o terror justificar-se como instrumento de política? Ao longo dos últimos duzentos anos, a suspensão dos direitos civis à época da Revolução Francesa assombra a imaginação da Europa. Da exaltação libertadora a uma orgia aparentemente absurda de derramamento de sangue sob o comando da sombria e enigmática figura de Robespierre, a evolução do movimento gerou incontáveis reflexões sobre a maldade humana e a loucura das tentativas de mudança revolucionária.
"O Terror", do historiador David Andress, apresenta uma visão diferente da Revolução Francesa e a "era do terror". Os acontecimentos desse período não resultaram da maldade humana, mas de terríveis decisões tomadas por homens convencidos de que estavam lutando pela liberdade. O mergulho no terror não foi provocado por atos de dirigentes implacáveis que investiam contra vítimas indefesas, mas por homens que temiam sua própria imolação, compelidos à paranoia das denúncias pela concreta ameaça de vingança da aristocracia.
Andress demonstra que esta foi uma guerra civil das mais selvagens, e que de ambos os lados havia inocentes e aproveitadores e também os que agiam corajosamente, cumprindo seu dever como patriotas ou súditos leais. É na incapacidade de compreender o caráter complexo do conflito que se revela a verdadeira tragédia do Terror, em que o mais sincero patriotismo serve de pretexto para o massacre.
Ao associar os esplêndidos perfis dos revolucionários a vívidas descrições de batalhas nas ruas de Paris e em toda a paisagem da guerra civil, "O Terror" é uma narrativa de excepcional complexidade - monumental estreia de um escritor de enorme talento.