"Negrinha" (Editora Globo), originalmente publicada em 1923, após o sucesso de "Urupês", forma um painel que coloca lado a lado a farsa e o sarcasmo, a tragédia e a compaixão, construindo alguns tipos nacionais da época, como o burguês escravocrata e o ex-escravo sofredor.
O conto, drama da filha de uma ex-escrava nas mãos da patroa, é o que dá título à obra. Os personagens das histórias formam um retrato da população brasileira do início do século 20, com os quais Lobato denuncia os bastidores de uma sociedade patriarcal.
É uma forte crítica que deixa transparecer os vestígios de uma persistente mentalidade escravocrata da sociedade, mesmo décadas após a abolição.