Banido de Roma pelo imperador Otávio Augusto por causa de seu livro, A Arte de Amar, que foi considerado imoral, o poeta Ovídio escreveu as famosas cartas pônticas. Os escritos são marcados pelo pranto, melancolia e pelas lamúrias mais patéticas, mas que apresentam um aspecto inovador: a fusão bem definida dos subgêneros elegíaco e epistolar.
O que as distingue, igualmente, é a presença constante de argumentos sempre atuais: a amizade, a filantropia, a solidariedade, a fidelidade, o direito de expressão, a imortalidade da arte, a função terapêutica da poesia, a sublimação do intelecto, entre outros. Tais epístolas harmonizam-se com os tempos modernos: suas mensagens se voltam às pessoas que, como o autor, se afligem com o isolamento, com a angústia e a depressão entre outros flagelos.