Uma das maiores romancistas americanas contemporâneas, a autora retoma seu tema mais caro: a condição da mulher negra nos Estados Unidos. Desta vez, o enredo se situa em 1690, quando a nação norte-americana estava nascendo, cem anos antes da Declaração de Independência.
Morrison nos faz lembrar que o começo do regime escravagista se confunde com esse início da nação, pois os dois cresceram juntos. A autora vê, nesse alvorecer do país, a possibilidade de uma escravatura sem racismo, que une brancos, negros e indígenas em uma mesma árdua luta pela sobrevivência na natureza inóspita do nordeste americano.
O livro conta a história de Florens, entregue pela própria mãe como pagamento da dívida de seu senhor, na esperança de poder ter uma vida melhor numa fazenda remota, ao lado do tolerante senhor anglo-holandês Jacob Vaark e de três outras mulheres: Rebekka, a senhora branca; Lina, uma escrava indígena; e Sorrow, outra escrava negra.
Em meio às asperezas da vida rural desse período, ameaçada pela varíola, numa terra sem lei, dividida entre o puritanismo religioso das seitas protestantes dos brancos e a tolerância e liberdade do indígena e do negro, Florens descobre o amor e o sexo. Luta com a natureza do nordeste da América do Norte e com sua própria natureza, ambas bravias, uma fria, a outra ardente. Sempre em busca de um amor perdido: o de sua mãe e o de sua pátria.