Segundo o dicionário Aurélio, a palavra Marafa, que dá título ao romance, significa "vida desregrada, licenciosa, libertina". E o livro é, assim, uma crônica do imenso mural da metrópole individual e coletiva, pessoal e anônima, que é o Rio de Janeiro. E é dentro deste tema que circulam os personagens suburbanos da história, marcados, sempre, por uma existência trágica.
Entre eles José e Teixeirinha. José é um homem honesto e trabalhador, que se apaixona por uma suburbana com o qual quer se casar. Para melhorar sua vida transforma-se num lutador de boxe, mergulhando no submundo dos contratos sujos e falsos das violentas lutas. Já Teixerinha, é o protótipo do malandro, com passagens ocasionais pela polícia, que vive de pequenos golpes, explorando prostitutas, fugindo de credores e que, para dar algum sentido menos perverso à sua existência, cuida de alguma escola carnavalesca.
Junto com outros personagens, eles mostram como era o Rio de Janeiro na primeira metade do século 20, especialmente o Rio dos subúrbios, cortiços e bordéis, matéria-prima com que o autor construiu a maior parte de sua obra literária.