Finalista do prêmio Jabuti 2009, o livro traz um estudo biográfico de quem experimentou a escravidão e conseguiu superá-la. A trajetória permite uma nova compreensão da sociedade brasileira oitocentista, crivada por tensões entre camadas sociais e códigos culturais distintos.
Reinventando valores e práticas, africanos natos como Domingos funcionam como mediadores culturais no Brasil escravista: circulam entre o candomblé e o catolicismo, a medicina africana e a ocidental, a justiça dos negros e a dos brancos.
Por ser considerado feiticeiro e adivinho, Domingos conquistou uma posição social particular. Se, por um lado, era perseguido em razão de práticas "mágicas" consideradas perigosas, por outro, a posição de líder religioso permitiu-lhe barganhar algum espaço no mundo dos brancos.
Tomando a trajetória de Domingos como fio condutor, e cotejando-a com outros perfis e experiências, o livro traça um mapa complexo das relações sociais do Brasil do século 19, em que violência, perseguição policial e desqualificação social de escravos e libertos combinam-se com compadrios e protecionismos de todo o tipo. Alianças perversas que, em vez de contribuírem para diminuir distâncias sociais, reforçaram-nas.