Apresenta a história de Manoel de Moraes, um jesuíta nascido em São Paulo no final do século 16 e missionário em Pernambuco. Indicado a finalista do prêmio Jabuti 2009, o livro conta que Manoel teve sua vida profundamente alterada no contexto da conquista do nordeste açucareiro pelos holandeses.
Na invasão de Pernambuco pelas tropas holandesas, em 1630, ele se tornou um combatente, mas passou para o lado holandês em 1634, traindo a resistência. Informante e capitão das forças holandesas, Moraes acabou se mudando para a Holanda, onde trocou o catolicismo pelo calvinismo. Lá, ele casou, teve filhos e dedicou-se a várias atividades.
O livro mostra que ele não era apenas um aproveitador. O abandono de sua fé o atormentava, o medo da Inquisição o apavorava e, em 1643, resolveu fazer o caminho de volta, mesmo tendo sido julgado e condenado à revelia pelo tribunal da Inquisição.
Manoel de Moraes foi um anti-herói que "namorava a heresia, neste tempo, mas se casou mesmo com a traição", passando a ser uma estrela "de uma constelação de traidores e colaboradores", entre os quais se destacou o famoso Domingos Fernandes Calabar. Sua história nos leva a percorrer as atribulações de um homem dilacerado entre a busca de riqueza e a salvação da própria alma, entre o trabalho e a aventura.