"Clara Manhã de Quinta à Noite" é um livro instigante. Sonhada e escrita por Audrey Wood, imaginada e ilustrada por Don Wood, a obra é constituída de paradoxos e contradições, o que não impede uma leitura agradável e reflexiva.
Sonho ou realidade? Lembranças ou fantasias? Mesmo que se chegue à conclusão de que se trata de delírio, é literatura infantil de ponta, associada a impressionantes estímulos visuais.
A cada par de páginas, tem-se o impacto de palavras que, apenas na aparência, se desmentem. "Os convidados, contentes, choram o tempo inteiro. Até os mais pobres, cheios de dinheiro". Mais adiante: "Quando a banda tocou 'Gelatina de Osso', todos nós sentamos para dançar". Ainda: "Eu sou mentirosa, mas a história é verdade. E o fim acontece antes da metade".
Como se sabe, a percepção infantil é ampla e generosa, capaz de perpetrar as mais fascinantes e improváveis aventuras. O volume "Clara Manhã de Quinta à Noite" é um convite à imaginação dos pequenos leitores. Sem censura, nem medo de contradições.