Manoel de Barros assume a posição de leitor. Distancia-se e aprende com o avô-árvore-gramofone, autor dos cadernos de "apontamentos" e de "andarilho" que compõem este livro, o jogo sonoro e surreal de uma natureza transfeita em poesia.
Entre garças, descobre a graça e a ironia do ilimitado das palavras, do "defeito" elementar de ficcionalizar o mundo.
O poeta entrega ao leitor um concerto de sons vegetais, sons de raízes e de córregos, audíveis apenas no silêncio entre uns e outros. Cada verso seduz pelo desvio, pelas dissonâncias, e revela a revolução das palavras.