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O que saiu na imprensa
Natália Rangel
O novo livro do escritor paulista João Silvério Trevisan, "Rei do Cheiro" (Record), faz um retrato impiedoso das mazelas nacionais ao traçar um panorama do Brasil nos últimos 50 anos. Quem conduz todo o enredo é Ruan Carlos Coronado (...) Ele irá se interessar pelos perfumes na puberdade e descobrirá logo que as essências poderiam se tornar a sua mina de ouro - começa produzindo cópias de aromas estrangeiros até desenvolver as suas próprias fórmulas e revendê-las no centro comercial da capital paulista. É o início de uma saga milionária conduzida sem nenhum escrúpulo por um homem que vai se revelando cada vez mais corrupto, megalomaníaco e amoral. As referências sociais, políticas e culturais são diversas e para expressá-las o escritor inclui no texto populares jingles publicitários das rádios nos anos 1950, marchinhas de Carnaval, trechos de samba e menções a personagens de televisão, como a vilã Odete Roitman, vivida por Beatriz Segall na novela "Vale Tudo". Segundo o autor, a escolha do negócio dos perfumes como foco de seu painel histórico não foi arbitrária. "Essa indústria, e também a da higiene pessoal e da cosmética, foi um dos setores que mais cresceram no período." Além de ser uma boa metáfora política: "Eu queria captar o clima do Brasil contemporâneo, onde nem tudo são perfumes. Há nos ares deste país cheiros ruins que sentimos todos os dias."
O romance aborda a formação dos novos-ricos de São Paulo a partir da história de um rapaz do interior que inicia fortuna ao começar a fabricar produtos cosméticos no fundo de sua loja na 25 de Março. Por que ler: um dos mais destacados escritores brasileiros nas últimas décadas, Trevisan aponta ao leitor o que há de questionável na sociedade contemporânea. Neste livro, aproxima a ficção da realidade ao amarrar a trama do protagonista Ruan Carlos Coronado a personagens emblemáticos deste início de século, como os bandidos do PCC -que aqui vira Croc, Comando Revolucionário Organizado do Crime.
Autor de Ana em Veneza, romance sobre o ramo brasileiro da família do escritor alemão Thomas Mann, e Devassos no Paraíso, ensaio histórico sobre a homossexualidade no Brasil, João Silvério Trevisan, de 65 anos, examina, neste novo romance, o mundo dos novos-ricos de São Paulo. O rei do cheiro aludido no título é o paulista Ruan Carlos Coronado, homem que faz fortuna na indústria de cosméticos. A narrativa acompanha o personagem do nascimento, nos anos 50, até os tempos atuais, quando explodem em São Paulo ataques de uma facção criminosa conhecida como Croc (Comando Revolucionário Organizado do Crime). O romance mantém um diálogo irônico com a cultura de massas do período, citando marchinhas de Carnaval e novelas de rádio e televisão.
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