Concluindo a tetralogia "Quarteto Áspero", composta por "Maçã Agreste", "Somos Pedras Que Se Consomem" e "O Amor Não Tem Bons Sentimentos", "A Minha Alma É Irmã de Deus" traz de volta os aspectos marcantes que permeiam toda a obra de Raimundo Carrero, como o caráter religioso extremamente forte, em contraste com o profano e o pecaminoso, a narrativa em tons trágicos e a cuidadosa construção de personagens elementares, quase bíblicos.
O autor narra a história de Camila, uma jovem solitária que quer ser santa para desfilar no exército das onze mil virgens do Paraíso. Numa tarde de domingo no Recife, ela conhece o pastor-músico Leonardo, criador da seita "Os Soldados da Pátria por Cristo", que passa o dia tocando saxofone pelas calçadas. Juntos, os dois proclamam as maravilhas religiosas em meio à miséria, à bebida e ao misticismo.
Eles seguem uma vida errante, até que o pastor desaparece e a mulher se transforma em um lixo social, dormindo nos detritos, sem roupa e tendo que se cobrir com papéis e papelões nas ruas. Mergulhada na solidão, Camila não conhece os seus caminhos e procura se apegar a valores que a sociedade urbana brasileira desconhece em muitos momentos - religião, moral e ética. Trata-se de uma metáfora de uma geração que precisa sobreviver, mas não encontra empregos nem ajuda e tem que lutar sozinha para alcançar alguma posição social.
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"A Minha Alma É Irmã de Deus" foi o vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2010
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“Carrero não somente decidiu escrever sobre seus complexos dilemas existenciais, mas também ampliá-los através de seus textos e trazê-los de volta para si, criando um círculo reflexivo de reverberação crescentes.”
Cristiano Ramos, revista Cult
“Um livro não só impecável, mas desafiador, que se aproxima da borda do humano.”
José Castello, O Globo
“Com 15 livros publicados, Carrero é, hoje, um dos grandes prosadores brasileiros vivos... dono de uma prosa tão vigorosa quanto lírica.”
Juliana Krapp, Jornal do Brasil