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O que saiu na imprensa
Hélio Passos
Li e reli, com calma e revoltante perplexidade, o livro do jornalista Palmério Dória, "Honoráveis Bandidos - Um retrato do Brasil na Era Sarney", da Editora Geração, e há muitas semanas na lista dos mais vendidos nas revistas semanais do país. Não sei nem o que dizer de tudo - ou quase tudo - o que se fica sabendo da família Sarney, em matéria de nepotismo, corrupção, negociatas etc. Um espanto. Me senti um doido manso, desses que ficam horas pensando em bobagem. Como escritor e jornalista me senti um pouco isto. Um escritor, digamos, de ficção. Um inventor de miolo de pote, que passa dia e noite bolando uma mentira pra botar no papel. Acontece que as revelações do Palmério nos faz ver melhor as verdades que não encontramos nos jornais, geralmente "macios" com Sarney e sua gente. Na leitura dessa obra corajosa, texto forte, citações fortíssimas, imaginei o mundo político "deste país nunca dantes tão imenso", diria o Lula, como um imenso estúdio. Nós somos o elenco. Como a peça é longa, o elenco vai se renovando à medida que caminha o espetáculo. Há sempre o risco de um "exeunt", como numa peça de Shakespeare. O que Palmério diz está no script, mas a direção aceita cacos. Mas uma vez que você disse, está dito. Fica gravado para sempre. É isso mesmo: o mundo que gira ao redor de Sarney é um vastíssimo estúdio, que tem acoplado um mausoléu, um museu da imagem e do som. Ou um arquivo morto. Nada que Palmério Dória revela some no espaço. Tudo que ele revela vai para o armazém. Assim como a memória de um computador. Está tudo lá, inteirinho, na infinita fita. Sem uma vírgula a menos. Meus Deus, com políticos como Sarney, como esta pátria que nos pariu é infeliz!
São dois os lançamentos mais imperdíveis do mês. Um é Honoráveis bandidos - Um retrato do Brasil na era Sarney, do jornalista Palmério Dória, que já passou por algumas das principais redações do País, inclusive pela nossa Caros Amigos, publicado pela Geração Editorial. Palmério faz um relato exaustivo e muito bem documentado sobre os métodos pouco ortodoxos, para dizer o mínimo, pelos quais foi montado e mantido o império midiático em escala maranhense, elétrico em escala nacional, e outras coisas mais, comandado pelo senador José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado Federal, e sua família. Um estudo competente sobre o moderno coronelismo político-econômico, que sucedeu no Maranhão o antigo coronelismo latifundiário.
Ralph Peter
Conta, com dados e fatos, toda trajetória de José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, Sarney. Não é uma obra de retaliação. Útil para esclarecimento. Libelo para inspirar reflexões. Revela o quanto putrefata está nossa aldeia. Enseja algo muito além da querencia da líberdade e requer, na sua exposição, uma verdadeira sanha d elimpeza e retorno à dignidade. Minimamente, um ato de coração e grandeza.
Juremir Machado da Silva
"Honoráveis Bandidos, Um Retrato do Brasil na Era Sarney", livro do jornalista Palmério Dória (Geração Editorial), está fazendo muito sucesso. É um dos mais vendidos no Brasil atualmente. E é muito bom. Mais do que isso, é excelente. Prova de que nem só porcaria, no estilo vampiros babacas e Paulo Coelho, vende. Ainda existem muitos leitores interessados em textos inteligentes e em críticas frontais e bem documentadas. Dória mostra o que todo mundo sabe: Sarney é um safado, um coronel retrógrado, um aproveitador de marca maior e o eterno mamador nas generosas tetas estatais. Mas mostra tudo isso com bons argumentos e muitos dados. Beleza!
Uma palhinha do livro de Dória: "Fernando, quando o pai se torna presidente, consolida o domínio do clã sobre o setor elétrico do país. Não escapa nada. Além de nomear toda a diretoria da Cemar, Centrais Elétricas do Maranhão, que ele preside, monta um conjunto de empresas de construção. Fabrica até o poste usado nas linhas de transmissão. Domina toda a cadeia". A família Sarney constitui, segundo Dória, uma rede mafiosa capaz de sugar tudo o que encontra à sua volta. Cobra taxa de proteção, distribui cargos, trafica influência, cria problemas falsos para vender soluções ainda mais falsas, parasita aliados, vampiriza órgãos públicos, bebe o sangue da população em taças de cristal, participa de fraudes eleitorais, pratica lobby como quem joga biriba e, em qualquer situação, escapa da lei e da justiça numa boa.
Outra canja: "O coronel Jarbas Passarinho prestou grandes desserviços à Nação, seja como ministro da Educação da ditadura militar quando reprimiu e perseguiu estudantes e professores, seja como incentivador do Ato Institucional 5, o AI-5, diante de cuja truculência mandou "às favas os escrúpulos" e apoiou com entusiasmo. No finalzinho da ditadura, serviu aos apaniguados com o ato que beneficiou a filha dileta de seu amigo José Sarney, antecipando o legítimo Trem da Alegria de 1984, do senador do PDS capixaba Moacyr Dalla, que embarcou 780 felizardos na gráfica do Senado e outros 600 nos gabinetes da Casa, entre eles a mesma Roseana, que nem morava em Brasília, mas no Rio de Janeiro". Espírito republicano!
Em mais de 50 anos de vida pública, José Sarney só praticou o interesse privado. Foi pilar da ditadura, cresceu na nauseabunda Arena, desaguou no PDS e, por fim, encontrou abrigo no chiqueirão do PMDB. Como se sabe, peemedebista não tem nariz. A conclusão de Palmério Dória é desesperadora: "O relatório não deixa dúvidas: qualquer rolha de concreto, qualquer barragem nas hidrelétricas brasileiras pagava pedágio a Fernando Sarney. Quando José Sarney fazia um discurso no Senado, dizendo que Belo Monte, no rio Xingu, na terra dos caiapós, vai ser a redenção da Amazônia, pode ficar certo de que, muito antes que as comportas se fechem, a alegre turma de Fernando já entrou em campo, faturando". Sarney é o apagão. Quem gosta de histórias de vampiros, leia "Bandidos Honoráveis", de Palmério Dória, que narra detalhadamente o crepúsculo da vida política brasileira.
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